Porque é que continuamos a escolher relações que nos ferem?
Não é falta de amor-próprio.
Não é incapacidade de escolher melhor.
E, na maioria das vezes, não é sequer uma escolha consciente.
É o sistema nervoso a reconhecer o que lhe é familiar.
Mesmo quando o familiar dói.
Para muitas pessoas, o vínculo foi aprendido em contextos de instabilidade, imprevisibilidade ou ausência emocional.
O corpo aprendeu a confundir intensidade com ligação.
Ansiedade com proximidade.
Esforço com amor.
Por isso, sair destes padrões não é uma decisão simples.
É um processo de reaprender segurança nas relações.
E isso não se faz com culpa, faz-se com consciência, regulação e tempo.
Escolher diferente não começa apenas na mente, começa também no corpo.
Quando se consegue notar estas repetições sem se julgar, abre-se espaço para sentir de forma diferente, e eventualmente agir de forma diferente: mas sempre a partir de um lugar de cuidado consigo, e não de obrigação.